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sábado, 7 de março de 2015

MANIFESTO: POR UMA UFRJ AUTÔNOMA, CRÍTICA E DEMOCRÁTICA!

Por uma UFRJ autônoma, crítica e democrática!

As eleições pra Reitor e Vice Reitor estão se aproximando e nesse momento se abre um diálogo muito importante sobre a universidade, os rumos que vem tomando e seu futuro. 
Nos últimos 4 anos, muitas foram as investidas contra a universidade pública e contra os direitos historicamente garantidos, tanto por alunxs, quanto por professores e funcionárixs. A universidade vem perdendo, cada dia mais, seu caráter público, gratuito e de qualidade, local onde se produz conhecimento para a sociedade.
A iniciativa privada vem dando as cartas dentro dos nossos campi, financiando pesquisas, bolsas, ocupando terrenos e orientando as decisões políticas. A EBSERH é um exemplo claro das investidas privatizantes que rodeiam a UFRJ. E a comunidade acadêmica deu exemplo de luta em unidade para garantir Educação e Saúde públicos e gratuitos.
Nesse sentido, esses setores, que vem juntos defendendo a Universidade pública, estão lançando um Manifesto relativo à esse processo de sucessão, uma posição política de luta, de resistência, especialmente no momento onde não se apresentam propostas de ruptura com essa lógica mercantilista!
Lançaremos esse Manifesto na próxima TERÇA-FEIRA, às 15h no Quinhentão (CCS). O Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa​ chama toda a comunidade acadêmica para esse importante ato, de defesa do caráter irrestritamente público, gratuito e de qualidade.

MANIFESTO
Por uma UFRJ autônoma, crítica e democrática
A UFRJ é um precioso patrimônio público que materializa quase um século de produção de conhecimento e de lutas universitárias. De sua origem como escolas isoladas aglomeradas até a sua conformação como instituição estruturada pelo princípio da ‘unidade do diverso’ foram necessárias corajosas lutas, ousadia e extraordinária dedicação de seus estudantes, técnico-administrativos e professores para transformá-la na maior Universidade Pública Federal, referência e laboratório para importantes mudanças no modelo educacional superior brasileiro.
A fragmentação não foi o único obstáculo a sua constituição. O Estado sempre obstaculizou a real autonomia universitária. As diretrizes da contrarreforma de 1968 e da implementação da pós-graduação a partir de 1965, impostas de modo coercitivo, gestadas na ditadura, provocaram retrocessos na busca da unidade do diverso, em detrimento da organicidade da instituição.
Mesmo em um ambiente tão hostil, a UFRJ seguiu impetuosa em sua busca de autonomia, associada a original produção de conhecimento, a exemplo das lutas pela constituinte, enfrentando com seus movimentos representativos a ofensiva privatizante de Collor de Mello, a contrarreforma do Estado no período FHC, as tentativas de lhe retirar o direito de escolher seu Reitor e as mudanças previdenciárias no governo Lula, lutou em prol de carreiras docente e de técnico-administrativos que contemplassem as particularidades da vida acadêmica e impediu a contratualização com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). Seus estudantes, organizados, compreenderam o sentido profundo da assistência estudantil para garantir a real democratização do acesso e da permanência dos estudantes na universidade, logrando lutas que pautaram de modo definitivo a questão. A despeito de toda a resistência, o Estado (e, na maioria das vezes, os governos) continua a tolher a liberdade acadêmica da universidade com seus processos de avaliação tecnocráticos, importados da gestão empresarial, orientados para o controle, o monitoramento e para a difusão de um ethos hostil à formação, à reflexão, à crítica e à criação que fundamentam a indissociabilidade ensino, pesquisa e extensão. Da avaliação passa-se à fiscalização, monitoramento e ao controle do que é dado a pensar. Esses processos exigem desempenhos específicos que limitam a autonomia e a dirigem numa determinada direção. A universidade deve ser entendida como uma instituição complexa, dinâmica, diversa, auto-organizada por meio de seu autogoverno e de sua prerrogativa constitucional de autonormação. É na diversidade auto-organizada que a universidade se fortalece, resiste a ataques externos, se auto avalia, corrige os seus rumos objetivando cumprir suas elevadas funções sociais.
Todas essas lutas universitárias expressam um compromisso inarredável de sua comunidade com o porvir da universidade. De modo indissociável com a luta por sua autonomia, as atividades de ensino, de pesquisa e de extensão foram orientadas, no cotidiano das faculdades e institutos e de seus grupos de pesquisa, pela efetivação de sua função social como instituição comprometida com os problemas lógicos e epistemológicos da ciência, da arte, da cultura e das tecnologias, com a formação cientificamente rigorosa de seus estudantes e com o diálogo verdadeiro com a educação pública, os movimentos sociais do campo e da cidade que, legitimamente, demandam espaços comuns de aprendizagem. Desse modo, a UFRJ vem contribuindo para a solução dos grandes problemas dos povos, como a energia, a educação, a saúde, a problemática socioambiental, as questões urbanas e agrárias, a economia, os desafios tecnológicos diversos, promovendo avanços no conhecimento em domínios estratégicos nas biociências, nas tecnologias, nas chamadas ciências duras, nas ciências humanas e sociais e, não menos importante, nas diversas linguagens, articulando cultura, arte e ciência.
Como uma instituição dedicada ao pensamento crítico, a UFRJ não pode deixar de problematizar as consequências das políticas educacional e de Ciência e Tecnologia (C&T) da ditadura, inclusive a violência contra sua comunidade, confirmadas, em sua extensão, pelas comissões da verdade. Igualmente, não pode deixar de problematizar a adesão de setores universitários (dentro e fora da instituição) a medidas governamentais heterônomas e que buscaram perpetuar o modelo imposto desde os sombrios tempos ditatoriais. É importante destacar que tal apoio prosseguiu em um contexto que já não possibilitava as contradições positivas da expansão da pós-graduação nos anos 1970-1980, como o desenvolvimento da ciência básica e de áreas tecnológicas em domínios estratégicos. De fato, nos anos de neoliberalismo, as mudanças na forma de inserção do país na economia-mundo, em prol de mercadorias de baixo conteúdo tecnológico, redefiniram, em profundidade, a política dos governos em relação à função da universidade pública brasileira. O torniquete dos editais indutores e a prioridade conferida à inovação tecnológica, a rigor, pouca inovação e muito serviço, provocaram mudanças que exigiram a adaptação de determinados grupos de pesquisa (ou de setores destes) à nova realidade. No modelo universidade-empresa a heteronomia adentrou ainda mais os laboratórios, as salas de aula, a escrita acadêmica, refuncionalizando a universidade no sentido de transformá-la em uma organização voltada para a prestação de serviços e para a formação rápida e superficial de força de trabalho para postos de trabalho de modesta complexidade.
O projeto de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI) pretendia adequar as universidades aos moldes do Processo de Bolonha/ Universidade Nova, mas as lutas em todo país impediram tal objetivo. O legado positivo resultante dessas lutas foi a renovação, ainda que insuficiente, do corpo docente e dos técnicos-administrativos, a ampliação e diversificação do perfil social de seus estudantes e a abertura de novas instituições de ensino superior públicas. O REUNI, entretanto, significou uma expansão sem infraestrutura e, a despeito da importância dos concursos, ampliou o número de matrículas sem que o quantitativo de pessoal atendesse às novas demandas. Este quadro se repetiu na política de assistência estudantil que, por não ser universal, obedeceu a lógica das políticas focalizadas de alívio à pobreza, situação agravada pelo reduzido orçamento do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES). Desde 2012 não há recursos novos para as universidades federais, situação que expressa a ausência de prioridade para a educação superior pública: o eixo da atual política é a educação profissional aligeirada, por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC) e de subsídios públicos (FIES, ProUni) para as instituições privadas, distintamente do princípio que compartilhamos de que as verbas públicas devem ser aplicadas exclusivamente nas instituições públicas.
Diante desse cenário, alguns setores internos, percebendo que a universidade mudou, apoiam medidas governamentais que supostamente objetivam “proteger” os grupos estabelecidos, seja criando obstáculos desprovidos de fundamentos acadêmicos para a progressão na carreira (desejando criar uma aristocracia acadêmica), como visto na greve magisterial de 2012 e na regulamentação da carreira em 2014, seja propondo uma internacionalização subalterna e neocolonial, seja cedendo pessoal e patrimônio a uma empresa de direito privado, como é o caso da EBSERH. Em nome de uma suposta meritocracia, defendem a desigualdade e os privilégios.
Discordamos dessa alternativa!
Em nome da importância da UFRJ para o povo brasileiro, a opção é buscar o fortalecimento institucional da UFRJ em seu conjunto, incorporando todas as áreas de conhecimento e perspectivas teóricas e epistemológicas. Não se trata de salvar uma pseudoexcelência, promovendo uma meritocracia que desconsidera o mérito e fomenta a crescente subordinação do ensino, da pesquisa e da extensão aos interesses particularistas do mercado no capitalismo dependente. Não é essa a história da UFRJ! Longe disso, a força da UFRJ sempre foi o seu compromisso com a ciência, a cultura e a arte, em estreita articulação com os problemas dos povos. Existe uma importante tradição de compromisso da instituição com os trabalhadores que podem fazer do conhecimento um ato de consciência, emancipação e liberação, em síntese, uma arma da crítica.
Declaramos nossa disposição de fazer do atual processo sucessório um momento de profundas redefinições demandadas pela sociedade e, em particular, pela comunidade da UFRJ. A primeira grande mudança é realizar um visceral balanço histórico para orientar mudanças capazes de instituir um novo ordenamento institucional para a UFRJ, no âmbito da autonomia universitária assegurada constitucionalmente. A realização de um Congresso Universitário, pactuado por estudantes, técnico-administrativos e docentes, objetivando um processo estatuinte, é um primeiro passo para transformar as relações de poder internas. Defendemos que as mudanças possibilitem o governo compartilhado da universidade. Sustentamos que a nova conformação institucional da universidade possa favorecer o protagonismo de todos estudantes, técnico-administrativos e professores da universidade. A UFRJ já é um patrimônio da nação, mas pode mais, revitalizando o seu projeto para que possa aflorar o seu extraordinário potencial! A autonormação e o autogoverno da universidade são imprescindíveis. Não é outro o significado do Artigo 207 da Constituição Federal que assegurou a autonomia universitária!
A complexidade da produção do conhecimento e dos processos de ensino e aprendizagem exigem mudanças institucionais e na forma de organização social do trabalho. Atividades que exigem alta especialização, como os setores financeiro, de pessoal, de licitação e compras, escritório técnico, bibliotecas, secretarias e coordenações de ensino, segurança, entre tantos outros, precisam ser valorizadas na forma de atividades , regulares, permanentes, profissionalizadas, garantindo a institucionalização das mesmas no âmbito das unidades e da UFRJ. Os profissionais qualificados e dedicados que exercem essas atividades devem ser apoiados de modo sistemático e institucional, inclusive quanto à valorização salarial, carreira e programas de qualificação.
Os colegiados político-acadêmicos, sejam de unidades, sejam os superiores, não podem prescindir da contribuição estudantil que, em nosso projeto, compõe efetivamente o governo compartilhado da instituição, convertendo os colegiados em espaços horizontalizados e de criativas experiências democráticas.
Em contrapelo com as medidas em curso para a educação pública, mais do que nunca os povos necessitam de universidades críticas, capazes de realizar processos de formação e de produzir conhecimento novo, rigoroso, livre da tutela de governos e de corporações para que os grandes desafios da humanidade possam ser enfrentados em melhores condições. O conhecimento sobre o futuro da educação pública não pode estar vinculado aos interesses das corporações que atuam seja no chamado serviço educacional, ou em qualquer outra área. As interações, convênios e contratos com entes governamentais e privados têm de estar em conformidade com a autonomia universitária (e, por conseguinte, com as normas constitucionais da esfera pública) e com a ética na produção do conhecimento. Não compete à universidade suprir a ausência de departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento das empresas e, nesse sentido, criticamos vigorosamente os termos da lei de inovação tecnológica que buscam redefinir a missão institucional em prol da universidade como apêndice do capital operacional. O financiamento é público. Não pode ser autogerado pela venda de serviços porque a universidade é pública, nem proveniente de corporações, e nem advindo de cobrança de taxas aos estudantes da graduação e da pós-graduação em decorrência da gratuidade constitucional.
Recusamos um processo eleitoral que se limite a promessas de “choque de gestão” como um requisito para o futuro da universidade, discurso que somente serve de invólucro aos interesses particularistas e antiuniversitários dos que sustentam um projeto referenciado na ideologia da meritocracia. Recusamos, igualmente, um processo de formação de chapa que se reduz ao mero loteamento dos cargos, como se acordos com dirigentes estabelecessem lealdades eleitorais de suas ditas bases. Recusamos um processo de formação do futuro governo da UFRJ comprometido com os governos e interesses partidários a eles associados, em detrimento da autonomia universitária. A universidade é uma instituição em que todos fazem um uso crítico da razão e, por isso, repudiamos tais práticas arcaicas de formação do que deveria ser o autogoverno da universidade.
Esse convite é um ato político-acadêmico em prol da autonomia constitucional. Não podemos tolerar essas políticas do governo federal, crescentemente hostis à universidade pública e autônoma. Os enormes cortes orçamentários, como os feitos recentemente pelo governo, as pressões para a contratualização com a EBSERH, a inserção dos programas de fomento à C&T no âmbito privado-mercantil, por meio da EMBRAPII e da hipertrofia das fundações privadas, a política de terceirização, o intento de contratação de docentes e técnicos por meio de organizações sociais (privadas, em contratos regidos pela CLT), a imposição do FUNPRESP, inviabilizando a aposentadoria integral dos novos servidores, exigirão uma administração que seja capaz de dialogar com independência com os distintos âmbitos governamentais, e que, para isso, deverá ter como método o princípio do trabalho coletivo, escutando, dialogando com todo seu corpo social, fortalecendo o ativo protagonismo de sua comunidade, articulando, ao mesmo tempo, diversas forças sociais em prol da defesa da universidade pública socialmente referenciada.
O presente Manifesto é, nesse sentido, um convite para que cada estudante, técnico-administrativo e professor se engaje nesse debate, participando, ativamente das plenárias agendadas para a construção do programa que a UFRJ e o país necessitam e assegurando outra perspectiva quanto a função social da universidade.

Para assinar este manifesto, envie uma mensagem para manifestoufrj@gmail.com com seu nome, função (docente, técnico e administrativo, estudante) e Unidade na UFRJ.
Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Saudação do professor Ricardo Kubrusly ao Movimento Estudantil

O professor Ricardo Kubrusly, poeta e camarada de muito tempo, enviou essa saudação em forma de poesia, saudando o Movimento Estudantil da UFRJ pela recente vitória contra o autoritarismo, praticado explicitamente pelo diretor da EEFD, Leandro Nogueira.
Agradecemos profundamente o professor e companheiro, com votos de continuarmos juntos na luta por uma universidade pública, gratuita, laica, democrática e de qualidade!


Para os estudantes da UFRJ por ocasião do reconhecimento da autonomia do ME


A que se destinam as universidades, senão a pôr em discussão as diversas maneiras de se ser no mundo e levá-las pelas brechas das possibilidades e quebrar, com elas,  os muros que as separam e misturar ideias e ver no coletivo assim criado, o seu próprio movimento e segui-lo e empurrá-lo sempre nas direções de maior justiça social. A que se nos destinamos, senão a, misturados ao mundo e seu povo, perto e dentro dos acontecimentos, criar destinos e inventar o novo que se nos distingue e revoluciona esse estar no mundo em um perpétuo e desconforto. Mas quem é esse nós que em nós se movimenta e cresce em todas as direções e busca entre todas as vertentes, as  mais revolucionárias e transformadoras? Mas quem é esse  nós que em nós mais se desconforta e que radical avança, senão nossos estudantes e dentre deles os mais inquietos e desconformados, o nosso movimento estudantil. A ele devemos nossos melhores momentos e nossas saudades mais verdadeiras.

Nós professores cansados ou semicansados, que deixamos escapar, por  teorias e práticas que se nos são impostas e que muitas vezes pouco ou nada dela sabemos, nossos melhores momentos e nossas melhores ideias, que desistimos, a cada dia, cansados  e semicansados dos sonhos que nos moviam para  desesperadamente acostumarmo-nos aos  rastros  desentendidos que mesmo assim,  ainda nos servirão como consolo gula e destino. Internacionalissimamente desconectados, pensando ser apenas feitos de eus uniformemente iguais, o mundo em desencanto e desconforto que se nos cerca e exige com seus problemas, soluções, vivemos dentro de nossas universidades a pobre sina do escravo feliz que prefere unir-se ao opressor do que lutar por sua libertação. Sentados ou semissentados   quase sempre confortavelmente instalados, vivemos a crença de  importâncias que nem temos nem merecemos. Vivemos, nos nossos laboratórios e gabinetes projetos científicos que não olham e nem querem olhar a sociedade que nos cerca, acreditando sempre e sempre numa neutralidade confortável e igualmente inexistente do que insistimos em chamar de ciência, sempre no singular, sempre subserviente e sempre excluindo as diferenças de que somos feitos e que nos unem.

Saudamos pois, nesse cenário inóspito, nesse deserto de ideias e de homens, a decisão do Consuni que  reconhece a autonomia do ME. Fruto de nossas tantas lutas e de continuarmos sempre estudantes das ideias e vontades que gestamos juntos.


Prof. Ricardo Kubrusly (HCTE/UFRJ)

quarta-feira, 26 de março de 2014

Mas greve de novo? E eu não me formo, não? Um debate franco entre estudantes!

Mas greve de novo? E eu não me formo, não?
Um debate franco entre estudantes!

Mal começou o primeiro semestre de 2014 e já somos “surpreendidos” com a notícia de uma possível greve. Novamente, o que em 2012 atrasou bastante nossa vida acadêmica. Mas é preciso um olhar um pouco mais profundo sobre a situação e mais ainda, um pouco de reflexão coletiva sobre o momento.

Primeiro cabe ressaltar que a greve de 2012 não acabou, ela foi suspensa e a mobilização das categorias continuou. Além disso, os acordos feitos naquele momento com o Governo, que já não foram os desejados pelas categorias, foram totalmente desprezados pelo Governo Federal, o mesmo que injeta bilhões nas obras da Copa do Mundo e que, ano após ano corta verbas da saúde e educação asfixiando financeiramente as universidades públicas e apontando como saída a parceria público-privada.

            Nas universidades hoje falta o mínimo possível para que possamos afirmar que temos uma formação de qualidade: falta estrutura, pois muitas vezes não há nem salas de aulas para as disciplinas, laboratórios de pesquisa, e, quando eles existem, estão frequentemente tão cheios que é impossível ter um momento proveitoso de estudos; falta segurança, ao ponto que não é incomum nos depararmos com relatos de assaltos e sequestros nos campi da universidade; faltam bolsas de auxílio e permanência, comprovado pelos altos índices de evasão, especialmente entre a população mais pobre, além do fato de que muitos daqueles que conseguem permanecer na Universidade não têm meios de se integrar nas atividades necessárias à sua formação – como pesquisa e extensão – por terem que gastar parte de seu tempo em estágios altamente precarizados por conta das suas necessidades econômicas; carência de bandejões que possam atender de fato a demanda dos estudantes e o mesmo vale para a moradia universitária. Ou seja, quero me formar, mas com qualidade!

Outro elemento, novo, também merece importante consideração: a virada conjuntural que veio à tona a partir de junho do ano passado. O brasileiro voltou à cena política, voltou às ruas. Sabemos o quanto isso foi difícil, especialmente após mais de 10 anos de um governo dito dos trabalhadores, que esfriou em muito o ânimo da classe trabalhadora. Temos de volta mulheres e homens indignados com as atuais condições de vida, cada vez mais precárias. Em todo o Brasil se levantam diversos movimentos de contestação. Aqui no Rio de Janeiro as lutas tornaram-se emblemáticas, como a greve de quase quatro meses dos Professores da Rede Municipal e Estadual do Rio de Janeiro, e, em pleno Carnaval, a greve dos Garis, que contou com bastante apoio da população e se saiu muito vitoriosa.

          Desde junho, vimos uma crescente da criminalização da pobreza e dos movimentos sociais em nosso país, vimos também o papel nefasto da grande mídia, cooptando nossas pautas, fragmentando o movimento de massas em "pacíficos x vândalos" e assim tentando justificar o aumento da repressão por parte do Estado àqueles que lutam contra a ordem estabelecida, em nome da manutenção do status quo. Dentro das Universidades não esta sendo diferente! Estudantes, professores e técnicos admnistrativos lutadores estão sendo duramente perseguidos, ameaçados e criminalizados por parte daqueles que não defendem o caráter público, gratuito e de qualidade da Universidade. Temos diversos exemplos, como o mais recente agora, a desastrosa "operação antidrogas" na UFSC. Na UFRJ, o mais emblemático e avançado caso de criminalização e perseguição política é tocado, abertamente, pelo Diretor da EEFD, professor Leandro Nogueira, que se utiliza do autoritarismo para tentar destruir quem se contrapõe ao seu projeto de privatização da EEFD, local que inclusive vai abrigar seleções para a Copa do Mundo. Após convocar a Polícia Militar duas vezes para dentro da EEFD, para retirar estudantes e tentar acabar com atos e manifestações; após duas moções de repúdio do CONSUNI contra ele; após retirar o Centro Acadêmico do fórum colegiado máximo da EEFD, como legítimo representante dos estudantes; e após perder quatro (04) processos administrativos dentro da UFRJ, a reitoria da UFRJ ainda não tomou nenhuma providência efetiva para dar fim a esse inacreditável e lamentável caso de criminalização dentro da UFRJ. A vitória do movimento e a exoneração do Diretor é um exemplo para a UFRJ! É tarefa do DCE e do conjunto do ME da UFRJ pressionar a reitoria da UFRJ, através da campanha "FORA LEANDRO!", em defesa da autonomia do ME dentro da Universidade, em defesa do direito de se organizar e de lutar! 

Em outras palavras, não há hora melhor para aumentar a mobilização dentro das universidades. Precisamos avançar e muito! Nós, estudantes, precisamos estar lado a lado com os servidores (técnicos e professores) na construção de uma Educação de qualidade: barrar o PNE de Dilma/PT, que mantém por mais 10 anos a lógica privatista e precarizante na qual a educação hoje se insere; garantir 10% do PIB para a educação pública JÁ, com mais verbas para bolsas, assistência estudantil e investimento em pesquisa e extensão; barrar definitivamente a EBSERH, projeto que tenta privatizar a rede de hospitais universitários; garantir a abertura imediata de concurso público para professores e técnicos administrativos, com um plano de carreira construído pela base, que incentive o servidor a permanecer na rede com remuneração justa; por melhores condições de trabalho, redução da jornada de trabalho para 30h sem redução salarial, com salas e aparelhos adequados e novos, entre outras reivindicações.

E mais, precisamos construir as nossas próprias reivindicações, tal como fizemos em 2012, quando garantimos aumento da quantidade de bolsas e do seu valor, além da garantia da utilização do “ex-Canecão” como espaço de ensino, pesquisa e extensão, administrado pelos segmentos da universidade. Estamos sofrendo com a questão da assistência estudantil! O sucateado alojamento não chega nem perto de atender a demanda da UFRJ. A obra de construção de um novo prédio anda a passos lentos e a reforma do prédio antigo ainda nem começou; os bandejões também não atendem e não existem na PV, no Centro, em Xerém e Macaé; sofremos com o transporte para chegar nos campi e com a escassez dos Inter campi.

Enfim, precisamos nos mover! Já temos provas que não podemos confiar na boa vontade da Reitoria. O bandejão da Praia Vermelha, conquista da greve de 2012, ainda não saiu do papel! Precisamos, em cada unidade, construir uma forte mobilização dos estudantes para cobrar do Reitor Levi e companhia que atendam nossas pautas!

            Pode ser, sim, que nossa formatura seja adiada, mas ela vem sendo negligenciada há anos! É preciso um basta! Quanto maior a pressão, mais rápida são as conquistas. Exemplos como dos trabalhadores de limpeza urbana, os garis do Rio que enfrentaram o governo em época de carnaval e conquistaram boa parte de suas pautas. Vamos construir essa luta juntos e transformar o caráter da Universidade!

MOVIMENTO QUEM VEM COM TUDO NÃO CANSA!
Contatos: Fundão – Rian (980909800); PV – Diego (981501863)
FB: /quemvemcomtudonaocansa

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Para avançar e fortalecer a greve: unificar concretamente os comandos e pressionar ainda mais o governo!


No mês de maio teve inicio a maior greve dos últimos anos nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Tendo como estopim a mobilização de docentes, estudantes e funcionários se unificaram a greve que já toma conta de mais de 95% das IFES em todo Brasil, demonstrando que é só através da luta que podemos modificar o cenário da educação em nosso país.

Avaliação e Apontamentos da greve

A greve tem início com a mobilização dos professores por pautas econômicas, como reajuste salarial e reestruturação do Plano de Carreira, e também questionando as condições de trabalho nas universidades. Por causa da precarização que vive a Universidade pública no país, estudantes e funcionários se unificaram a greve em apoio aos docentes, mas também com pautas especificas, colocando todo o projeto de educação do Governo Dilma/Lula/PT em xeque e a mobilização num patamar superior ao inicial. Anos e anos de cortes de verbas, implementação de políticas que sucateiam a universidade e transferem verbas à iniciativa privada (Prouni, Parcerias Publico-Privadas, Lei de Inovação Tecnológica, Sinaes/Enade, Enem, e em especial o Reuni, que em 2012 completa 5 anos de implementação) não deixam alternativa àqueles que lutam por uma Universidade publica, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.

Em 2007, quando o Governo implementou, via decreto, o Reuni, o movimento estudantil de luta se colocou contrário e disse que o projeto tinha problemas e que trariam conseqüências muito negativas. Cinco anos depois vemos a conseqüência no dia-a-dia com todos estes problemas que já citamos anteriormente. Além disso, é importante frisar que o Reuni reordenou o modelo do Ensino Superior com a criação de cursos genéricos e/ou de terminalidade breve com orientação evidente de servir o mercado, e também, acelerou o processo de privatização, já que as verbas para manutenção da universidade diminuíram diante da sua “expansão”, abrindo assim espaço para cursos pagos de extensão e pós-graduação e para projetos como a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). A greve que vivemos hoje expressa, certamente, um balanço da expansão desordenada implementada pelo Reuni. Reivindicamos, aqui, a atualidade da luta contra esse programa e a política educacional do governo, como viemos insistindo nos últimos períodos contra a visão equivocada de que o Reuni já “havia passado” e não estava mais em discussão.

É importante reafirmarmos a todo o momento: nossa greve é de enfrentamento ao Governo Federal! A nossa greve é contra as políticas do governo para educação. Hoje, além do enfrentamento necessário com Reuni, isso se expressa na luta contra a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) do governo, que é o plano sistematizador de todas as políticas que fizeram a Universidade chegar a esse estado no qual ela se encontra. A Aprovação do PNE proposto pelo governo transforma em política de Estado todas as políticas formuladas para educação desde o início do mandato de Lula/PT, que, por sua vez, sistematizavam iniciativas fragmentadas formuladas no governo FHC: transferência de verbas para a iniciativa privada, subfinanciamento, ataque à autonomia na produção de conhecimento através de parcerias público-privadas, nenhuma linha sobre a real expansão do acesso com vistas à universalização do ensino superiro, continuidade da expansão sem qualidade e voltada ao mercado, com cursos aligeirados e muitos outros. Além disso, o Governo propõe 8% do PIB para educação até 2023. Precisamos defender um PNE que esteja a serviço dos trabalhadores, que construa uma educação publica, gratuita e de qualidade e que destine 10% do PIB para educação publica já!

A precarização da Universidade é nacional: falta de salas de aula, laboratórios, Restaurantes Universitários, casa de estudantes e bolsas defasadas são realidade na maioria das IFES do país. Isso é o reflexo de anos e anos de cortes de verbas para educação e da implementação da Reforma Universitária de Lula/Dilma/PT. Por isso, as pautas específicas da greve, que refletem problemas nacionais, precisam também ser nacionalizadas: enfrentar essa política de destruição da universidade é garantir bandejões em todos os campi das universidades, aumento de bolsas, garantia de assistência estudantil e melhorias estruturais – e isso precisa estar refletido de maneira unificada, e não apenas em pautas locais, na construção e nas reivindicações da nossa greve. A nacionalização das pautas especificas e a luta para conquistá-las é um forte caminho para garantir nossas vitórias objetivas. Revertendo, no cotidiano das universidades, o cenário de precarização e sucateamento da educação, estaremos avançando no sentido contrário daquilo que se busca implementar com o Reuni e o PNE do Governo.

 Assembleia estudantil na UFRJ com mais de 2 mil

As assembléias de categorias mostraram o quão forte é nossa greve. Na assembleia que deflagrou greve estudantil na UFRJ mais de 2 mil estudantes participaram. A partir daí, sucessivos atos foram realizados. Um dos mais  expressivos aconteceu durante a realização do evento pró-capital Rio+20: o ato da Cúpula dos Povos, que contou com mais de 50 mil pessoas e uma grande coluna da greve nacional das IFES. Porém, sobretudo na última semana, os atos têm se esvaziado de uma maneira geral. No Rio de Janeiro tivemos exemplos muito concretos disso, identificados pela maioria dos vêm construindo a greve: os diversos atos das categorias em greve marcados para esta semana ficaram aquém do esperado. Isso acontece quando, no interior do movimento grevista, há setores defendendo a caracterização de que não podemos, no atual momento, priorizar a construção de assembleias e espaços políticos - porque o momento de discussão e construção das pautas já estaria superado e o centro de nossa intervenção, a que estaria disposto o conjunto dos envolvidos com a greve, seria a realização insistente e sucessiva do maior número possível de atos de rua.  Não compactuamos com essa caracterização, e temos colocado isso em todos os espaços de construção da greve. A sua fragilidade se comprova, inclusive, com a identificação irrefutável do esvaziamento de grande parte dos atos de rua.

Então, o que fazer a partir do novo cenário da greve?

Achamos que esse novo cenário é fruto de um desgaste natural da greve, que já ultrapassa um mês, mas também de uma política equivocada na sua condução no período recente. O governo vem apostando todas as fichas na desmobilização de nosso movimento: já desmarcou reuniões com o comando nacional de docentes algumas vezes e nesta semana desmarcou a reunião com o Comando Nacional de Greve Estudantil. Além disso, o governo tenta dividir os segmentos ao tratar a greve e sua negociação de forma separada, sabendo que assim pode nos desmobilizar, enfraquecer e dividir nosso movimento. 

Nossa posição, portanto, é de que precisamos unificar concretamente os comandos de greve! As pautas comuns devem ser negociadas com governo através do Comando Unificado. Em relação à nossa mobilização, está claro que é preciso superar o cenário de uma profusão de atividades desconectadas e fragmentadas, apostando em um número menor de atividades unificadas e com maior peso e visibilidade. O momento da greve é de radicalização e pressão para o início das negociações. Por isso, precisamos começar a pensar em atos, mais concentrados e unificados, que estejam à altura dessas tarefas. Um exemplo seria pensar um dia de atos nas secretarias do MEC por todo país, coordenados, exigindo que o governo negocie. Precisamos repensar nossa intervenção: nesse sentido, defendemos que, ao invés de construirmos muitos atos que fiquem esvaziados, priorizemos a construção de atos unificados entre os três segmentos que tenham o caráter de pressionar mais o governo e forçá-lo a negociar. 

O Comando Nacional Estudantil fala em nome do movimento grevista! A UNE NÃO fala em nosso nome!

Durante o período de greve, vimos que a organização das categorias necessita de um instrumento mais dinâmico para dar respostas políticas rápidas a novas situações que aparecem. A construção dos Comandos de Greve é fundamental para organizar e unificar as lutas nesse período. Percebemos que a construção desses comandos se deu de forma diferente entre os segmentos. Enquanto docentes e funcionários construíram seu comando de greve com auxilio de suas entidades gerais, respectivamente ANDES e FASUBRA, o Comando Estudantil é construído já no enfrentamento contra a UNE, pois todas as pautas políticas do movimento grevista se chocam com a entidade, braço do governo no movimento estudantil e que defende todas as suas políticas.

Na primeira reunião do Comando, realizada na UFRJ, defendemos a posição de que apenas o Comando de Greve falava e negociava em nome do movimento e que a UNE não falava em nosso nome. Os companheiros da Oposição de Esquerda da UNE (PSOL), buscando pressionar o PSTU para não defender a resolução que citava a UNE (considerada por eles ‘sectária’ e ‘desnecessária’) colocaram a resolução (aprovada) de que nem a UNE nem a ANEL (nova entidade construída pelo PSTU) falavam em nome do movimento grevista. Nós mantivemos, sem o apoio do PSTU (que inicialmente cedeu à pressão do PSOL e propôs uma resolução genérica, que reivindicava o Comando como legítimo e não citava a UNE), a nossa proposta e a defendemos na reunião. Após a nossa defesa e a polarização que se construiu em torno ao tema com os representantes da UNE (majoritária e oposição), que insistiam em não citar a entidade na resolução, o PSTU abriu mão de sua proposta em favor da que apresentamos.

A justeza de nossa posição e a necessidade de uma resolução que desautorizasse explicitamente a UNE de falar em nosso nome se confirmaram uma semana depois: a UNE traiu o movimento e foi recebida pelo Ministro Mercadante em Brasília para negociar em nome do movimento grevista, sem ao menos citar a necessidade de abertura de negociação com as categorias em greve e seus legítimos comandos. Sabemos qual o papel da entidade governista com isso: blindar o governo e frear as mobilizações, como vem tentando fazer com a propaganda de que a aprovação dos 10% do PIB paraa educação em 2023 nos marcos do PNE (que possui metas de precarização e privatização da educação) foi uma vitória. Precisamos denunciar que não foi uma vitória, reafirmando a pauta da greve que defende os 10% do PIB para educação publica já! É preciso dizer em alto e bom som que somos contra o PNE do governo, e que a UNE traiu o movimento ao fazer a reunião com o MEC (que não recebeu nenhum comando de greve até agora). Afinal, ela não tem a menor capacidade e autonomia para negociar nossas pautas com o governo que sustenta e defende. 

Nesse momento o Comando fala em nosso nome! E quando acabar a greve?

Um debate franco que queremos fazer com todos os estudantes é: como vai ficar nossa organização depois que a greve acabar? O Comando Nacional existe para dar respostas unificadas nesse momento e vemos sua necessidade diante da conjuntura. Porém, assim que acabar a greve, o Comando deixará de existir e ficaremos novamente sem um instrumento que nos organize nacionalmente. Nos períodos de luta mais acentuada, percebemos com mais clareza a necessidade de uma entidade para organizar nossas ações, mas também precisamos desse instrumento para organizar e unificar nossas lutas diariamente. Os ataques dos governos são poderosos e precisamos de uma ferramenta capaz de responder à altura. A ANEL tem muitas limitações, tanto emseu programa como em sua política superestrutural e propagandística, o que vem ficando claro nesse momento de greve. Não responde às tarefas que estão colocadas para a juventude justamente por se fazer um instrumento superestrutural, que acaba se consolidando como uma corrente do movimento estudantil e não uma entidade concreta, capaz de concretizar e dar um sentido objetivo às nossas lutas. Acaba, assim, se fragilizando e tornando-se uma ‘moeda de troca’ diante das barganhas chantagens do setor majoritário da entidade e a Oposição de esquerda da UNE, enquanto a luta corre e precisa de respostas. Por isso, é fundamental que saiamos desse processo de greve com uma resposta organizativa para os estudantes. 

É necessário que façamos um balanço conseqüente de quanto custa caro não possuirmos um instrumento capaz de organizar as lutas dos estudantes e superarmos este entrave de nossa geração, criando uma nova ferramenta que só pode existir e avançar a partir do enfrentamento com o velho e burocratizado movimento estudantil representado pela UNE.

Ø Pela Unificação concreta dos Comandos de Greve!
Ø Nacionalizar as pautas especificas! Por Bandejão, Alojamento em todos os campi! Pelo Reajuste das bolsas!
Ø O Comando Nacional Estudantil fala em nome do Movimento Grevista! A UNE Não fala em nosso nome!
Ø Por uma Nova Entidade Estudantil!

  Governo Dilma: a serviço dos empresários e banqueiros, ignora a greve nacional da educação

 Coluna da Greve na marcha da Cúpula dos Povos: mais de 50 mil na rua!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Greve: e agora?





Estamos em um momento histórico, não só para a educação, sobretudo o ensino superior, quanto para toda a sociedade. Entendemos que a greve docente em 53 Instituições Federais de Ensino dentre um total de 59, contando com a adesão de técnicos-administrativos e estudantes em mais de 20, é uma resposta da sociedade às políticas nefastas que se materializam contra o trabalhador. É também resultado claro do fracasso da Reforma Universitária inciada no governo Lula/PT, reforma que nunca atendeu às expectativas populares. Nessa perspectiva, a ação do movimento estudantil ganha uma importância ímpar nos debates travados contra o Governo, principalmente quando buscar marcar uma ruptura e diferenciação clara em relação às suas políticas.

Contudo, o cenário do movimento estudantil ainda é muito preocupante no tocante às suas ações e capacidade de mobilização. Ainda que entendamos todas as atuais limitações das mobilizações populares causadas pela lógica individualista e competitivista imposta pelo nosso modelo de sociedade, onde o “nós” torna-se irrelevante perante o “eu”, afirmamos que as ações do movimento estudantil, sobretudo na UFRJ, nossa principal base de atuação, estão muito aquém do que deveriam estar. A gestão majoritária do DCE-UFRJ, mais preocupada em fazer atividades de propaganda, evita travar o necesssário debate na base dos estudantes, optando por adotar políticas de atos no CONSUNI, um espaço burocratizado e anti-democrático, onde a possibilidade de vitória é irrisória ou não se concretiza por não sair do papel. Ou seja, canta-se vitória a partir de intenções ou falsas promessas de uma reitoria submissa às políticas governamentais que tanto nos prejudicam. As sessões com estudantes no CONSUNI por vezes terminaram esvaziadas, com os estudantes já exaustos da fantasia, pois não é interesse dos grupos majoritários do DCE fazê-los contar com suas próprias forças no seu dia-a-dia. Além disso, vemos a UNE exercendo muito bem o papel de capacho do governo federal, sendo bancada pelo mesmo, assinando suas propostas e fazendo de tudo para desacreditar a movimentação dos estudantes. A luta não interessa à UNE, e denunciar o papel que essa entidade cumpre é fundamental para que pensemos nos nossos novos instrumentos de luta com capacidade de aglutinar os estudantes de todo o país.

O Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa, compreendendo a relevância histórica do movimento estudantil para a discussão dos rumos não só da Universidade, mas também da sociedade como um todo, assevera a impossibilidade de vitórias concretas no seguimento dessas linhas políticas supracitadas, muito em virtude da falta de diálogo nas bases, onde observamos que muitos daqueles que não encontram canais para construir a greve docente/discente/técnica não o fazem devido à falta de informações e falta de diálogo das entidades que deveriam fazê-lo. Com isso, é nosso papel buscar sempre travar os debates com os demais estudantes, pois não pretendemos realizar ações messiânicas, ou sermos vendedores de verdades absolutas. Nossas ações devem se balizar na formação de todos e no debate correspondente ao cotidiano discente, justamente por entender a necessidade da formação de uma sociedade mais consciente, crítica e combativa, e repudiar a formação de grupos corporativizados de manobra, o que acaba, de uma forma ou de outra, resultando das políticas da atual gestão do DCE.

Sendo assim, nesse contexto de greve geral, algo de uma relevância ímpar, sobretudo tendo em conta o imobilismo da última década ou mais, consideramos fundamental a participação estudantil na construção de uma greve que não só poderia nos valer conquistas imediatas, mas também a formação de pessoas que levariam consigo valores como a criticidade, combatividade e solidariedade, em detrimento dos valores propalados por este modelo de sociedade que vemos hoje: egoísmo, individualismo e competitivismo, entendendo que o espaço universitário não é apenas de formação técnica-reprodutora, mas sim de formação humana! Por isso convidamos todos para comparecerem em nossas atividades de greve, para que possamos travar os debates necessários, onde a construção seja coletiva e que não apenas deliberemos sobre verdades que querem nos impor. 

domingo, 3 de outubro de 2010

I Encontro do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa

Estamos vivendo um importante momento histórico, marcado por uma crise econômica estrutural do Capital e por ataques profundos aos direitos dos trabalhadores e da juventude. Dizemos ‘momento importante’ porque precisamos responder às tarefas históricas colocadas para nossa geração, tarefas essas que exigem uma resposta adequada e um projeto que corresponda aos interesses dos trabalhadores e da Juventude.

Partindo desta compreensão, o Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa realizará o seu I Encontro. Debateremos temas como Conjuntura, Universidade, Movimento Estudantil, a relação Partido x Movimento, Opressões, entre outros, com o objetivo de resgatar, aprofundar, e dialeticamente, refletir sobre nossas práticas cotidianas e pensar na superação das contradições colocadas.

Convocamos todos(as) os(as) que, entendendo a necessidade histórica de um enfrentamento concreto e coerente, desejam fortalecer sua prática. Esperamos sua presença, enfileirando nossas trincheiras de luta, por uma sociedade qualitativamente diferente.

Data: 27 e 28 de novembro de 2010

Local: Escola de Educação Física e Desportos – UFRJ

* Com chegada no dia 26, à noite (sexta-feira).

Em breve a programação!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

REUNIÃO do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa!

Companheiros,
Mais um semestre se inicia e com ele novas tarefas se colocam para o conjunto dos estudantes. Diante disso, é muito importante discutirmos o cenário em que estamos inseridos e como nós, estudantes/trabalhadores, nos organizaremos da forma mais adequada para das conta dos desafios. Aí está o convite:
REUNIÃO do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa
PAUTA:
1) Lutas;
2) Movimento Estudantil.
DIA: 28 de Agosto de 2010
HORÁRIO: 10h
LOCAL: Escola de Educação Física e Desportos
campus da UFRJ na Ilha do Fundão
Tragam suas questões!!!
Nos vemos lá!!!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Intervenção na Engenharia Química/UFRJ

O Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa intervém na aula sobre Universidade e Sociedade na Engenharia Química:

Na segunda-feira, dia 10 de Maio, o Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa participou, intervindo com seus posicionamentos, da aula sobre Universidade e Sociedade na Metodologia científica na turma de calouros da Engenharia Química. Junto com o Movimento estava lá para o debate o DAEQ.
Ocorreu uma apresentação dos decretos do governo Lula/PT que atacam a educação, atendendo as metas do Banco Mundial e do FMI, o processo de enfrentamento do movimento estudantil, as proposições do movimento estudantil e docente e o processo de reorganização, com a denúncia da UNE, atrelada ao governo e defendendo os seus decretos contra os estudantes, e o papel do movimento estudantil combativo de criar uma nova entidade por fora e contra a UNE que seja capaz de enfrentar o governo e ser propositiva.
O debate foi aberto e os estudantes, muito receptivos, colocaram questões e posicionamentos sobre os assuntos apresentados, se mostrando dispostos a construir o enfrentamento na Universidade.
É muito importante a discussão com os calouros e calouras, colocando os problemas que enfrenta a Universidade pública na questão da gratuidade e da manutenção do tripé ensino, pesquisa e extensão, fazendo um link com as metas que são impostas internacionalmente e aceitas pelos governos.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Revida Minerva na Pedagogia/FE!

Esta semana nos dias 18 e 19/05/10, nossas passadas nas salas da Faculdade de Educação (FE) reafirmam a campanha Revida Minerva contra o REUNI na UFRJ, iniciada em 2009 pelo Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa como uma proposta concreta de discussão com os estudantes. A construção de uma pauta de reivindicações específicas do curso de Pedagogia se somará às reivindicações dos demais estudantes da UFRJ para denunciar a precarização na universidade após a adesão ao Plano Diretor/REUNI, que desde 2007 fere a autonomia universitária ao determinar as diretrizes para sua organização, moldando-a para cumprir com as metas vindas do governo federal.
Na Pedagogia/FE, é importante notar as diversas formas como esse tipo de política paleativa nos afeta:

- faltam professores para diversas disciplinas, como:

--- Libras (do último período, impedindo os alunos de se formarem ao final deste semestre),

--- Didática da Matemática (devido ao pedido de licença do professor),

--- Políticas Públicas (que só agora fez concurso e há umas duas semanas tem professor).....

E as poucas vagas disponíveis no concurso público não suprem a demanda real que necessitamos, visto que este ano teremos 3 novas turmas de calouros!


- falta de infra-estrutura:
--- poucos laboratórios para ensino, pesquisa e extensão;
--- Laboratório de Informática lotado;
--- sala de estudo pequena e sem espaço/material para comportar todos os alunos;
--- poucas salas de aula (as que tem são disputadas com as turmas de outros cursos);
--- não temos uma biblioteca na FE;
--- a xerox foi realocada para debaixo da escada (explorando as condições de trabalho do Itamar/Ismálha que foram submetidos à um local insalubre e com pouca ventilação) com a desculpa de fazer obras, mas as obras não começaram na sala onde era a xerox e não sabemos quando terminarão;
--- perdemos a sala Anísio Teixeira (onde tinhamos um espaço para eventos com um bom contingente de público) porque virou almoxarifado....


Continuaremos com tantas perdas?
NÃO! Está na hora da Minerva, símbolo da UFRJ, revidar!

O que podemos fazer como estudantes?!

MUITO! Por isso, te convidamos para um debate sério sobre os rumos de nossa universidade e da educação pública:


* quarta-feira (19/05)
às 17h

e

quarta-feira (26/05)

às 11h

na
FE/UFRJ


ATÉ LÁ!!!

Obs.: Nos encontraremos próximo à escada e seguiremos para alguma sala disponível na FE.

Atividade sobre movimento estudantil na Pedagogia/UFRJ

No dia 06/05/10 o Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa realizou mais uma atividade com os alunos do curso de Pedagogia da UFRJ. O diálogo com a comunidade discente teve um tom de esclarecimento sobre a precariedade que estamos vivendo na universidade, que é agravada com a implementação do REUNI, decreto aprovado em 2007 pela Reitoria no qual visa à ampliação de vagas sem qualidade. A cada explicação sobre as políticas educacionais do governo os estudantes balançavam a cabeça mostrando concordância com a nossa opinião: que é contra o REUNI, PROUNI, Ensino à Distância... Enfim, contra a Reforma Universitária!
Mostrando coerência com a nossa linha, não poderíamos deixar de denunciar o papel nefasto que a União Nacional de Estudantes está exercendo: de apoiar a Reforma Universitária privatizante do Governo Lula/ PT e traindo nós estudantes.
O cenário é de tristeza, mas resta um pouco de esperança, pois nós estudantes temos a árdua tarefa de criar uma nova entidade estudantil, visto que o velho está morto e enterrado (UNE). E essa importante criação deve ter como marco político a ruptura com a UNE para podermos ter uma entidade forte que lute contra os ataques à educação.
Fique atento às próximas atividades sobre movimento estudantil!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Boas-vindas aos Calour@s 2010





O ano letivo de 2010 se inicia com significativo atraso, por conta do autoritarismo do Ministério da Educação ao impor às instituições de ensino superior a utilização do “novo” Exame Nacional do Ensino Médio, que fora adiado num primeiro momento, devido à violação das provas, e não possui NADA de diferente do vestibular como propagado pelo Ministro Fernando Haddad: mantém a lógica meritocrática, desigual e antidemocrática de acesso ao Ensino Superior.

Desde 2007, o Governo Lula/PT tem aumentado a política de ataques à Educação Pública, que na Universidade se materializou pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Instituições Federais de Ensino Superior (REUNI), chantageando as Reitorias com pequenas verbas e alguns novos concursos para Docentes e Técnico-Administrativos, ainda insuficientes para suprir a carência da quantidade que realmente precisamos. Em todo o país, os estudantes se mobilizaram e enfrentaram esses ataques, ocupando Reitorias e organizando grandes manifestações.

Aqui na UFRJ, a situação não foi diferente. Nós, do Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa, surgido em 2005, não nos cansamos de lutar em defesa da Educação Pública e dos interesses estudantis. Por isso, é preciso aumentar a nossa organização a nível nacional, já que hoje a União Nacional dos Estudantes (UNE) não passa de uma marionete para poupar Lula/PT, fotografando junto a José Sarney e às tropas brasileiras que atacam e massacram trabalhador@s no Haiti.

No caso da Faculdade de Educação (FE), é interesse da Reitoria a transferência para a Cidade Universitária no Fundão, através do Plano Diretor nos marcos do REUNI, transformando nosso campus em um estacionamento privado, hotel-escola e centro de convenções, retirando o caráter de produção de conhecimento da Universidade, situação que apenas a nossa luta pode modificar. Além disso, a luta por melhorias na assistência estudantil (Bandejão na Praia Vermelha, aumento das bolsas, Creche Universitária, transporte inter-campi, Alojamento, etc.) deve estar presente para avançarmos nas conquistas e na universalização do acesso.

Venha nos conhecer e construir o Movimento!
http://movimentoquemvemcomtudonaocansa.blogspot.com/
quemvemcomtudonaocansa@yahoo.com.br