Mostrando postagens com marcador UFRGS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador UFRGS. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Carta aos estudantes da UFRGS sobre o processo eleitoral do DCE


O DCE da UFRGS, uma das entidades estudantis mais importantes do país, encontra-se atualmente com uma gestão totalmente vinculada aos interesses dos grandes empresários, banqueiros e governos. A atual gestão defende e apóia o governo de Yeda Crusius (PSBD), o qual avança em passos largos no sucateamento da saúde e educação (vide o exemplo da enturmação e “escolas de lata”). Além destes ataques, Yeda (que faz um governo pró-agronegócio) tem se preocupado em criminalizar os movimentos sociais. Repressões aos movimentos são constantes no atual governo: no último período até ação judicial pedindo o fim do MST foi realizada. Ou seja, o nosso DCE hoje está aliado com o que há de mais reacionário no país.

Durante o processo de aprovação do mérito do Parque Tecnológico, mais uma política do Governo Lula/PT de privatização dos espaços da Universidade e retirada de direito dos estudantes, o DCE, ao invés de fazer o enfrentamento juntamente às entidades e grupos políticos organizados e pedir debates e real participação dos discentes nessa decisão, colocou-se a favor desse ataque - inclusive rindo dos estudantes que estavam apanhando da segurança universitária, em uma das cenas mais lamentáveis dos últimos anos na UFRGS.

A atual gestão mostrou a que veio: apoiar a extrema direita reacionária e os ataques do governo Lula/PT às Universidades Federais, deixando o DCE – entidade que deveria representar os estudantes e seus posicionamentos – à mercê das políticas de destruição da Universidade. Isto sem mencionar as denúncias de corrupção sofridas pela atual gestão durante seu mandato.


Qual deve ser a resposta dos lutadores? Luta!


Para enfrentar todos esses ataques, é importante ter um DCE que consiga potencializar a mobilização dos estudantes. Para que o DCE seja uma ferramenta importante, é necessário que consigamos construir um programa adequado para dar respostas coerentes. Acreditamos que um programa coerente reivindica uma Universidade pública, gratuita e de qualidade! Justamente por conta dessa reivindicação, consequentemente há a necessidade da luta contra o REUNI, o Parque Técnológico e a reforma universitária de conjunto de Lula/PT.

Apesar do REUNI ter sido aprovado em 2007, os reflexos na Universidade começam a se tornar evidentes. A estrutura da universidade cada vez condiz menos com o número de estudantes: ocorre a falta de salas de aula, professores, uma política séria de assistência estudantil etc. Tudo isso é reflexo da falta de verbas para educação, somada ao projeto de destruição da Universidade implementado pelo Governo.

Esse, então, é um momento crucial para se debater a organização do movimento estudantil em torno das lutas do dia a dia, vinculado à organização nacional dos estudantes, pois apenas com uma organização nacional – que vincule as lutas diárias às lutas estudantis nacionais, que faça o enfrentamento claro e concreto aos empresários, banqueiros, governos – poderemos dar conseqüências às nossas pautas e cada vez mais impedir a entrada desses setores nas entidades estudantis.

Consideramos que para o real avanço do movimento estudantil em suas lutas e organização, é necessário fazer o enfrentamento aos agentes implementadores dos ataques, posicionando-se contra esses agentes, e contra as entidades que são utilizadas como aparatos dos mesmos.

Desde a década de 1990, a UNE encontra-se burocratizada e afastada das lutas. A partir da ascensão de Lula/PT ao governo, a UNE definitivamente passou para o lado dos empresários, aliando-se ao Governo, posicionando-se contrária aos interesses dos estudantes, como no caso da Reforma Universitária e especificamente com o decreto do REUNI.

Por conta disso, o Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa considera que o debate de reorganização do movimento estudantil é um debate essencial, que não pode ser relegado a segundo plano e que deve ser construído diariamente, em cada luta específica. Cada vez que nos chocamos com a política do governo, é também necessário o enfrentamento com a entidade que garante a sustentação destas políticas no interior do movimento estudantil: a UNE. Só com a derrota política da UNE poderemos avançar para derrotar o governo Lula/PT e construir o novo movimento estudantil.


A situação da esquerda na UFRGS


Consideramos importante a retomada do DCE da UFRGS pelos lutadores. Porém, esse processo deve ocorrer com uma unidade programática que expresse claramente oposição a todos os ataques à Educação Pública, tanto de Yeda/PSDB quanto de Lula/PT e que priorize e paute a reorganização do movimento estudantil, evidenciando o papel nefasto que hoje cumpre a UNE.

Porém, o que verificamos é a esquerda priorizando uma unidade esvaziada, com um programa débil, que abre mão de colocar o enfrentamento ao REUNI no programa, que não cita os decretos do governo, que não pauta a reorganização do movimento estudantil. Em suma, conforma-se uma unidade artificial por meio de um programa diluído que provavelmente vai estar a serviço de barganhas entre as correntes, transformando a ferramenta do DCE num espaço superestrutural.


Diante do grande potencial presente nas lutas estudantis quando bem organizadas e desenvolvidas, chamamos os estudantes a discutir conosco as lutas da UFRGS.


Contatos:
Tatiana Borin - tatyborin87@gmail.com

8415-8449

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A Reforma Universitária e o Projeto de Parque Tecnológico na UFRGS

A Reforma Universitária tem sido implementada nas universidades brasileiras com o intuito de precarizar a educação e desresponsabilizar o governo perante o ensino superior – seguindo normas de organismos internacionais como Banco Mundial e FMI. Dentro desta lógica, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os estudantes, servidores e docentes que representam a resistência diante das constantes tentativas de precarização e “venda” da Universidade aos setores privados têm, desde dezembro de 2009, lutado contra um projeto de Parque Tecnológico da UFRGS.

O Projeto de Parque Tecnológico foi apresentado aos membros do CONSUN (Conselho Universitário) em início de dezembro, de forma a ser aprovado o quanto antes. O que a reitoria não esperava era que, mesmo em época de pleno gozo das férias acadêmicas, os estudantes se mobilizariam diante de tanta falta de debate e de um projeto com tantos pontos falhos.

Após todos os meios legais para adiar o processo de votação terem sido usados, em 15 de janeiro de 2010 o projeto entrou como pauta para votação. Sem nenhum debate com a comunidade acadêmica nem esclarecimento dos diversos pontos polêmicos do projeto, os estudantes compareceram à reunião e conseguiram que o projeto não fosse votado devido à falta de quórum.

Na quarta feira, dia 3 de março, ocorreu no campus central uma aula pública sobre o Parque Tecnológico. Não, não era a reitoria querendo esclarecer a comunidade acadêmica e a sociedade acerca do projeto! Essa foi a forma que estudantes utilizaram para conversar e debater sobre suas dúvidas acerca deste projeto que entraria em votação dois dias mais tarde – ainda em período de férias!

Neste mesmo dia, a Via Campesina estava em Porto Alegre realizando um ato pela abertura da Jornada de Lutas do Dia da Mulher e, com o intuito de solidarizar-se com a pauta dos estudantes, marchou em direção ao campus. Porém, a reitoria mostrou sua cara: fechou diversos portões (espaço público??) e colocou policiais militares para vigiar, encarcerando os estudantes que ali estavam. Após muito empurra-empurra e agressões de estudantes, uma comissão foi recebida pelo Reitor Carlos Alexandre Neto, que declarou que não iria retirar a votação do Parque da pauta do CONSUN de sexta-feira. Diante desta situação, percebemos que deveríamos tomar atitudes mais drásticas, de forma a nos proteger dos diversos meios de repressão que poderiam ser tomados pela reitoria: decidimos acampar na universidade na noite de quinta-feira visando impedir a realização do CONSUN de sexta.

Dormiram na reitoria cerca de 80 estudantes, que não tiveram banheiro e água durante toda a noite. Na sexta pela manhã, os que se aproximavam do campus central da UFRGS viam uma enorme quantidade de policiais militares e, mais uma vez, portões fechados (novamente sem ordem judicial). A partir de então, cenas que não víamos desde a época da Ditadura Militar foram presenciadas na UFRGS. Os estudantes bloquearam as portas de acesso ao prédio onde seria realizado o CONSUN de forma a exigir, pelo menos, um debate ampliado com a comunidade acadêmica sobre este projeto. Foi então que a segurança universitária recebeu ordens de entrar no prédio e, batendo nos estudantes, tentou diversas vezes forçar a entrada.

Além de todos estes acontecimentos, cabe ressaltar a atitude dos estudantes do DCE (gestão da direita, composta por setores do PP e DEM, entre outros) que, assistindo a toda movimentação, riam dos estudantes que apanhavam, criminalizados. Percebendo que os estudantes não desistiriam tão facilmente, a reitoria resolveu abrir-se a negociações: a votação foi adiada por 30 dias e foram definidos 4 debates (de forma a contemplar os campi de Porto Alegre), para a discussão do projeto de parque tecnológico. Estes debates teriam mesas compostas por membros da reitoria e também da comissão formada neste dia.

Mais uma vez, descumprindo o acordo feito com os estudantes, a reitoria diminui o número de debates para 2 (campi do Vale e central) e colocou membros do DCE participando das mesas. Nas assembléias, vimos o debate sobre o Parque ser distorcido. Nossos principais pontos duvidosos com relação ao projeto apresentado aos membros do CONSUN foram “misteriosamente” excluídos na versão do projeto que a reitoria disponibilizou à comunidade pela página da universidade. Sem contar as diversas falas que nos ocultavam os verdadeiros objetivos desse parque.

Mas afinal, por que somos contra esse Parque Tecnológico? Poderia citar diversos motivos, mas me deterei em alguns:

1) Pesquisas voltadas ao mercado. Entendendo a Universidade enquanto um órgão público, os conhecimentos nela desenvolvidos devem ser voltados a atender as demandas sociais como saúde e educação. Com a implantação de empresas privadas (objetivo do Parque) na Universidade, as pesquisas voltar-se-iam unicamente para os interesses das empresas e do mercado (isso sem contar que não está definido no projeto se a patente vai para a Universidade ou para a empresa).

2) Falta de democracia. O Conselho Diretor do Parque Tecnológico não prevê a participação dos segmentos da Comunidade Universitária (professores, servidores e estudantes) na sua gestão. Ainda que conte com entidades representativas dos segmentos empresariais (FIERGS e SEBRAE), igualmente não participam do Conselho Diretor as entidades representativas de trabalhadores (sindicatos ou centrais sindicais). Exceto o representante das empresas incubadas na UFRGS-TEC, não há representação eleita para nenhum dos demais assentos no Conselho Diretor.

3) Acirramento entre os cursos. Como já é de hábito na UFRGS, os cursos que trazem mais verba à Universidade têm prioridade na compra de materiais e instalações, fazendo com que tenhamos pequenos “centros de excelência” e cursos, cada vez mais, precarizados.

Com as assembléias realizadas, o projeto do Parque entrou novamente como pauta do CONSUN. Dentro deste órgão, a democracia não tem vez: professores têm 70% dos votos, servidores e estudantes, 15% cada, isso sem falar nos votos dos diretores das unidades e dos pró-reitores. Com esta formação, mesmo com os 4 votos contrários e 2 abstenções (de representantes discentes e servidores) o mérito do projeto do Parque Tecnológico foi aprovado.

Hoje em dia, ainda teremos pela frente a aprovação do estatuto do Parque (também pelo CONSUN). E, por fora disso tudo, tramita na Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Porto Alegre um processo contra as ações da reitoria no ato do dia 5 de março.

Ah... os debates sobre isso tudo? Continuam a não ocorrer...

domingo, 22 de março de 2009

Cursos pagos na UFRGS são suspensos

Os informes que seguem abaixo são extremamente importantes para a defesa da Educação Pública, Gratuita e de Qualidade!
Com os cortes de verbas oriundos das políticas neoliberais do Governo Lula/PT e dos governos estaduais e municipais, as políticas públicas como Educação e Saúde são cada vez mais precarizadas e os setores privatistas se fortalecem, aumentando a lucratividade. A privatização é realizada dentro das próprias Universidades, como exemplificadas na cobrança de taxas para realização de cursos de extensão e pós-graduação lato sensu.
O exemplo da UFRGS deve se espalhar por todo o país, através de mobilizações estudantis que reivindiquem a gratuidade e a qualidade da Educação Pública!
Tribunal Regional Federal da 4ª Região
extingue cursos pagos na universidade
pública


Escrito por DCE-UFRGS, Terça-feira, 03/03/09

No último dia 18 de fevereiro, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu que é inconstitucional e ilegal a cobrança de mensalidades nos cursos de pós-graduação lato sensu (especializações) oferecidos pela UFRGS, na linha do que vem decidindo o Supremo Tribunal Federal. Com isso, a UFRGS fica impedida de promover e oferecer cursos de pós-graduação pagos, por força do princípio da gratuidade previsto na Constituição Brasileira (art. 206, IV); a partir de agora, tais cursos têm de ser gratuitos para os alunos interessados, como ocorre nos cursos de graduação.

A decisão foi proferida em ação civil pública promovida pelo Ministério Público Federal (MPF), a partir de uma representação do Diretório Central dos Estudantes da UFRGS (DCE/UFRGS). Mesmo tendo seu pedido negado em primeira instância, o MPF recorreu da decisão.

Em 2008, com sua assessoria jurídica, o DCE/UFRGS pediu o ingresso na ação, como assistente do MPF, por ter oferecido a representação originária.

O juiz Marcio Antônio Rocha, relator do caso, sentenciou que não deve ocorrer a imposição de barreiras financeiras à população que deseja entrar na universidade pública, pois “mediante o recolhimento de tributos, já contribui para a manutenção do ensino, não se afigurando correto que haja nova cobrança de valores para tanto.”

Para o formando em direito, Bruno Franke, “a decisão é positiva porque, em sua maioria, os cursos de especialização era voltados a fins privados, e não a uma produção de conhecimento voltada aos interesses da maioria da população. Além disso, pelo fato de não haver regulamentação própria, não havia rígido controle de prestação de contas”.

O procurador-geral da UFRGS, Armando Pitrez, não quis comentar a decisão do caso.
Após a conquista da isenção de taxas cobradas no DECORDI, os estudantes da UFRGS saem vitoriosos em relação aos cursos pagos. Mais um passo foi dado no sentido de uma UFRGS cada vez mais pública, gratuita e popular.

Confira o processo no sítio do TRF (www.trf4.jus. br):
Processo nº 2003.71.00.077369- 9/RS

Ufrgs suspende 53 cursos pagos

Correio do Povo. Porto Alegre, 20 de março de 2009


Devido a um processo judicial, a Ufrgs precisou suspender temporariamente 53 cursos de especialização, que são pagos por alunos. Uma análise do Tribunal Regional Federal (TRF), em fevereiro, considerou irregular que a universidade tenha cursos de pós-graduação custeados. A decisão partiu de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, por meio de representação do Diretório Central dos Estudantes da Ufrgs (DCE/Ufrgs). O relator, juiz federal Márcio Antônio Rocha, utilizou o princípio da gratuidade, previsto na Constituição Brasileira. A Procuradoria da Ufrgs entrou com recurso para reverter a decisão da Justiça, mas o processo não tem data para ser reavaliado pelo TRF. O impasse não atinge cursos de mestrado e doutorado. Mas a especialização é considerada Ensino 'lato sensu' – curso de pós-graduação que não oferece título acadêmico. O reitor da Ufrgs, Carlos Alexandre Netto, afirmou que essa decisão judicial traz prejuízos. 'Os cursos de especialização são um pedido da própria comunidade, tanto que há vários inscritos e a procura é grande. É uma oportunidade de aprendizado e ampliação dos serviços oferecidos.' Ele argumentou que existe a cobrança porque a regulamentação da Capes não financia esses estudos e nem repassa apoio financeiro à universidade. Caso o processo seja rejeitado, o reitor não sabe se os cursos serão mantidos.Na Ufrgs existem 3 mil alunos que realizam especializações, em praticamente todas as áreas de Ensino. 'A universidade, por cautela, diante da decisão judicial, determinou a suspensão temporária dos cursos que não haviam começado. As outras especializações têm suas aulas mantidas', ressaltou. Em relação ao processo, o reitor disse que a Ufrgs ganhou em primeira instância o direito de cobrar pelos cursos. 'Esperamos que a mesma interpretação seja feita agora', assinalou.Já o vice-reitor da Ufrgs, Rui Vicente Oppermann, lembrou que muitos cursos de especialização retornam como serviços à sociedade. Ele citou o curso de Cirurgia Ortodôntica Buco Facial, em que são feitos atendimentos a pacientes com custos baixos ou nulos. Rui Oppermann explicou que a especialização não tem tempo determinado de duração, variando de acordo com a área, sendo que a carga mínima é de 360 horas.

UFRGS suspende 53 cursos pagos de pós-graduação
Radio Gaucha e Zerohora.com


Determinação judicial considera que o ensino da universidade não pode ser cobrado

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) suspendeu temporariamente 53 cursos pagos de pós-graduação e especializações. Uma determinação judicial considera que o ensino da universidade não pode ser cobrado.
Foram cancelados somente cursos com início previsto para este ano. A medida vale até a decisão final do Tribunal Regional Federal (TRF).
O TRF determinou no dia 5 de março o fim da oferta dos cursos pagos na Universidade. A ação civil pública foi movida pelo Ministério Público Federal. Conforme a procuradoria, o ensino na universidade federal deve ser gratuito, de acordo com o que estabelece a Constituição.
O juiz federal Márcio Rocha julgou procedente a ação, considerando que os cursos de especialização (lato sensu) integram o Ensino Superior, sendo eles oferecidos regularmente ou não pela instituição.