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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Avaliação do XXX Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física

O movimento proletário é o movimento autônomo da

imensa maioria no interesse da imensa maioria.”
Karl Marx e Frederich Engels



O XXX Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física, que ocorreu de 18 a 25 de Julho na USP, aglutinou cerca de 500 estudantes que saíram de diversas partes do Brasil para discutir os processos de lutas existentes e os rumos do movimento estudantil, em específico o de Educação Física.

É importante lembrar que o Encontro ocorre num intervalo de tempo curto em relação aos enfrentamentos na USP, nos quais a polícia militar de São Paulo transformou a Universidade em campo de batalha, atacando violentamente os estudantes. Nesse sentido, deixamos aqui registrado nosso repúdio à figura do professor Go Tani, que, além de ser o que há de reacionário na Educação Física, foi ao encontro representando a Reitora fascista da USP, professora Sueli Vilela.

O XXX ENEEF colocou para debate temas de fundamental importância na conjuntura, como a crise econômica mundial, a maior crise do sistema capitalista desde a crise de 1929; a reorganização do movimento estudantil; a quantas andam a implementação e o enfrentamento ao Decreto do REUNI e os impactos do novo ENEM. Os temas das diretrizes curriculares e o necessário enfrentamento ao sistema CONFEF/CREFs também ganharam fôlego no Encontro Nacional.

Na mesa I do ENEEF, tínhamos como eixo central das discussões a crise econômica mundial. O debate sobre esse tema deveria ser muito aprofundado para mostrar ao conjunto dos estudantes presentes de onde vem essa crise, qual o seu caráter e qual a saída estratégica para a juventude e os trabalhadores. Era o momento de mostrarmos as contradições do sistema capitalista que se expressam durante a crise (demissões, arrocho salariais, férias coletivas, etc.), mostrar como a classe trabalhadora e a juventude estão pagando a conta dessa crise, identificar o papel nefasto que o Governo Lula/PT vem cumprindo (distribuindo dinheiro para banqueiros, corte no orçamento da educação, etc.) e mostrar as tarefas que temos a cumprir! Mas devido ao debate feito na hora errada sobre diretrizes curriculares, não conseguimos aprofundar sobre o tema da maneira necessária.

Nesse ano, também tivemos o lançamento da campanha pela revogação das diretrizes curriculares, que consideramos uma luta importante. Porém, no atual momento em que temos uma crise econômica que assola cada vez mais os estudantes e os trabalhadores, visto o número de estudantes ficando desempregados, sem condições para freqüentar a universidade, os cortes de salários, a nova lei da meia-entrada, a forte implementação do REUNI, que acaba com a Universidade pública, as medidas do governo com os tubarões de ensino como aumento nas mensalidades e aulas tele-presenciais, consideramos que a campanha deveria ser mais abrangente, no sentido da garantia da qualidade do ensino público.

Nesse ano, também ficou explícito o acúmulo de discussão que o MEEF veio ganhando em torno do tema de reorganização do movimento estudantil. Se até 2007, as discussões perpassavam por permanecer na UNE, em 2008, após o rompimento com tal entidade e a participação da ExNEEF no Congresso Nacional de Estudantes, o MEEF vem avançando na análise de que a UNE foi cooptada pela burguesia e luta do lado da mesma contra os estudantes. Um ponto bastante importante foi reafirmar a ruptura com a UNE, acompanhada pela deliberação de não realizar espaços paralelos aos fóruns da mesma. Esses encaminhamentos, em nosso ponto de vista, mostram o quanto a ExNEEF está na vanguarda da reorganização do movimento estudantil.

Na plenária final, também teve a discussão do posicionamento da ExNEEF sobre a Assembléia Nacional dos Estudantes Livre (ANEL), e o Movimento Quem Vem Com Tudo Não Cansa defendeu o posicionamento de autonomia. Acreditamos na necessidade urgente de uma Nova Entidade para potencializar a luta dos estudantes, diferente de algumas análises feitas dentro do MEEF, mas entendemos que esse novo instrumento deve expressar uma ruptura com o velho movimento estudantil. Nesse sentido, a ANEL não responde às tarefas colocadas para a juventude, pois não firma o seu programa na ruptura com a UNE, ou seja, deixa a possibilidade para o oportunismo de outra hora, aonde vimos os instrumentos criados sendo usados de barganha para acordos superestruturais, como no caso da Frente de Luta Contra a Reforma Universitária. Assim, nossa posição de autonomia compreende que, caso se concretize uma conjuntura de radicalização das lutas e essas encontrem um canal potencializador na ANEL, não nos negaremos, por princípio, a nos somar para a organização e intervenção nas mobilizações, mesmo observando sérias debilidades na alternativa em questão. No entanto, a deliberação aprovada no ENEEF de não compor a ANEL devido à falta de representatividade ampla junto aos estudantes, em nosso entendimento desconsidera as tarefas colocadas para a vanguarda do movimento estudantil, de criação de um instrumento que organize e potencialize as lutas dos estudantes.

O XXX ENEEF também marcou uma discussão que se iniciou ano passado sobre a opressão das mulheres relacionada à luta de classes, e as lutas que deveríamos tocar. Nesse sentido, ocorreu o primeiro espaço de auto-organização de mulheres, que visou discutir as opressões sofridas pelas mesmas no seio da sociedade. Em seguida, tivemos um espaço de mulheres em conjunto com a Nutrição.

Não podemos, infelizmente, ver a mesma qualidade do espaço de auto-organização no espaço de mulheres aberto com todos os estudantes do encontro, pois na mesa se encontravam setores que tinham uma discussão muito aquém do que poderíamos fazer, inclusive contemplando na mesa um posicionamento pós-moderno, que falava das opressões sem correlação histórica com a classe trabalhadora.

Apesar de todos os equívocos de discussão política, consideramos que o Encontro avançou muito no sentido das discussões e proposições para as lutas da ExNEEF nas Universidades e sua intervenção junto à classe trabalhadora.

Sigamos avançando!



"Ser capaz de sentir indignação contra qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo. É a qualidade mais bela de um militante".

Ernesto Che Guevara.

sábado, 28 de março de 2009

Convocatória do XXX Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física

EXECUTIVA NACIONAL DE ESTUDANTES DE EDUCAÇÃO FÍSICA
GESTÃO 2008/2009



CONVOCATÓRIA


A Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física (ExNEEF) convoca todos os estudantes da área da Educação Física, juntamente com seus respectivos Centros e Diretórios Acadêmicos, e os integrantes da atual nominata da ExNEEF, para que compareçam ao XXX ENEEF – Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física, que realizar-se-á entre os dias 18 e 25 de julho de 2009, na Universidade de São Paulo – USP, no campus Armando de Sales Oliveira (Butantã) .
Entendendo a importância desse espaço como meio de encaminharmos e atualizarmos nossas ações acerca do Movimento Estudantil de Educação Física, bem como garantir a organização e a própria dinâmica do movimento, é que se faz necessária a participação de cada um, garantindo assim coerência e diversidade de idéias para construção e fortalecimento do MEEF.

Então, desde já contamos com a presença de todos.

Saudações estudantis,
ExNEEF
Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ExNEEF não reconhece a UNE e constrói o Congresso Nacional de Estudantes

A EXECUTIVA NACIONAL DE ESTUDANTES DE EDUCAÇÃO FÍSICA
não reconhece a UNE e constrói o CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDANTES


Aos Estudantes, Centros e Diretórios Acadêmicos de Educação Física do Brasil

Em 1937 foi fundada a União Nacional de Estudantes (UNE), com o objetivo de organizar o movimento estudantil brasileiro, e dar aos estudantes maior poder de mobilização.

Desde sua criação, a história da UNE e dos estudantes organizados está associada à história política do país. Diversas lutas importantes foram travadas, como a campanha “O Petróleo é nosso!” e no período da ditadura militar, no qual a UNE se colocou como uma das principais resistências.

Após o AI-5, a UNE caiu na ilegalidade e mesmo assim não perdeu seu papel fundamental na organização da resistência contra a ditadura e na luta contra os planos imperialistas para a educação, aplicados pelo governo através dos acordos MEC/USAID.

Ficando 15 anos na ilegalidade, a entidade volta em 1983 com o fim da ditadura. Em 1992, a UNE novamente mostra seu papel de protagonista na política nacional e puxa, junto aos DCEs, o movimento dos caras pintadas que exigiam o impeachment do então presidente Collor.

Apesar de cumprir um papel central nesse processo, já nesse momento, a UNE mostrava seus limites para atuar enquanto instrumento do movimento estudantil combativo. Isso se comprovou no apoio à ascensão de Itamar Franco para presidência, em contraposição a lutar por novas eleições.

Também nesse período, cresce a utilização do monopólio do direito à meia entrada, transformando a UNE numa verdadeira fábrica de carteirinhas. Não podemos negar a história da UNE na política Brasileira, entretanto, nas últimas duas décadas, ela não tem cumprido com seu papel.

A crescente burocratização desta entidade serviu não só para manter a hegemonia de um mesmo grupo político na direção da entidade, que desde 1991 é o mesmo, se utilizando de mudanças na forma de eleição dos delegados, de fraudes, a falta de espaço para manifestação das diferenças e a conseqüente ausência de uma construção coletiva dos espaços.

Além de tudo isso, a UNE tornou-se um braço do governo no interior do movimento estudantil brasileiro. Com a chegada do governo Lula, esse processo se aprofunda, fortalecendo a UNE como um real obstáculo para as lutas estudantis.

Dessa forma, ao não fazer um enfrentamento às políticas neoliberais do governo e, inclusive, apoiando políticas que desqualificam, sucateiam e desmontam a educação, como o PROUNI, o REUNI, a Lei de Inovação Tecnológica, o Decreto Lei de Fundações, enfim, a Reforma Universitária de Lula em seu conjunto. Demonstrando que a UNE não serve mais como instrumento de luta para os estudantes.

A Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física (ExNEEF) vem discutindo a situação da UNE desde a década de 90, acumulando o debate em Encontros Nacionais, Encontros Regionais, além de outros espaços de militância da ExNEEF.

O ponto culminante foi o último Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física (ENEEF), realizado em 2008 na cidade de Porto Alegre, que teve como sede a UFRGS. Em especial uma mesa que aprofundou o debate sobre a situação da UNE e quais os caminhos que a ExNEEF deveria tomar perante esta situação.

Assim, na plenária final desse encontro, os estudantes em ampla maioria deliberaram que a ExNEEF não legitimaria mais a União Nacional de Estudantes (UNE), rompendo com a entidade, reconhecendo que o momento histórico que estamos é o de voltar para os estudantes e rearticular sua organização, não avaliando este momento como propício para a criação de uma nova entidade que dirija esse movimento.

Resoluções do XXIX Encontro Nacional de Estudantes de Educação Física:

“Que a ExNEEF rompa com a UNE e priorize a formação e reestruturação de sua base, além de manter sua atuação no FENEX e construir outras lutas do ME.”

“A ExNEEF entende a importância de uma nova entidade para o Movimento Estudantil Geral porém não avalia a conjuntura como favorável para construção de uma nova entidade”.

“A ExNEEF se propõe a participar e construir espaços por fora da UNE de reorganização do ME combativo e de luta, inclusive um congresso nacional dos estudantes, levando em consideração as resoluções aprovadas neste ENEEF e as bandeiras históricas do MEEF.”

(Resoluções 19, 20 e 21 da Plenária Final do XXIX ENEEF, realizado em Julho de 2008, na UFRGS, Porto Alegre - RS)

Dessa forma a ExNEEF entende e orienta a todas e a todos estudantes de Educação Física, assim como Diretórios e Centros Acadêmicos, a não legitimarem os espaços promovidos pela UNE, não tirando delegados e não participando dos mesmos.

A partir da falência da UNE, entendemos a necessidade de participação dos espaços nacionais fora da UNE para articular e unificar as lutas (Fenex, Congresso dos Estudantes...). Assim, queremos de forma democrática, levar os estudantes de Educação Física do Brasil, a debater com o conjunto dos estudantes as amplas opiniões, sobre a reorganização do Movimento Estudantil brasileiro. E nesse sentido, retomar a tradição de luta dos estudantes ao lado da classe trabalhadora.

Por tudo isso, a ExNEEF orienta os estudantes a acompanhar e discutir as atividades do Congresso Nacional de Estudantes, que está sendo organizado por entidades do movimento estudantil e será realizado de 11 a 14 de Junho de 2009 na cidade do Rio de Janeiro/RJ.